primeiro de julho de dois mil e vinte três

 eu sempre quis ter coragem de dizer o sim.

de não olhar pra trás.

de segurar o choro.


eu sou uma covarde.

eu só queria viver em uma realidade paralela em viver com alguém que fosse precisar e me notar de algum jeito que nem sei se é possível.


de não esperar, e receber.


eu não aguento mais não ser eu.

de viver nessa gaiola da nova eu.


talvez eu não queira essa vida adulta.

e ás vezes não quero pensar não quão chato e exaustivo é viver.


sempre um peso.

sempre um peso.

sempre um peso.


nem eu suporto mais viver comigo mesma.

realmente, que retardada.

todas as oportunidades de ser uma babaca, eu arrumo um jeito inédito de ser.


todas as pessoas que têm a melhor versão de mim, eu mesma consigo expor a pior versão de mim, exclusivamente para elas.


e só elas têm isso.

as melhores pessoas.


eu sou uma babaca.

insuportável.

chata.

egoísta.

desorganizada.

burra.

invejosa.

preguiçosa.

chorona.

insegura.

babaca.

babaca.

babaca.


uma completa retardada desconexa com a realidade.

chora mais, idiota.

isso não muda o que você é.



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