meu poema

Os relógios do mundo marcam horas diferentes. As rotas que traçamos são delimitadas pelo tempo. Qual mecanismo usado para preservar o vasto cemitério? É noite no Japão. Seres insignificantes movem-se pelas ruas. Deus nos ama. Eis o nosso monstro confortável. A chave para todos os problemas é a inexistência do absurdo. Sartre estava errado. Acho que o horário de Brasília também. Escureceu. A ausência de luminescência nos assombrava. Sem iluminação, como diríamos "amém" ao mecanismo que nos controlava? Preso nesse eterno agora, bebo uma gota de nada e deito para dormir. Nossa cama é um túmulo dos nossos ancestrais? Já é tarde demais. O relógio que marca as horas fora do cosmos é um Deus. Nos apegamos a este fantoche de cor berrante. Nos guiamos por um tique-taque estipulado arbitrariamente. Não percebemos o instante, só sabemos que horas são. Não queremos chegar atrasados. “Até que horas os relógios funcionarão?“
Vagalumes voam ao meu redor... entre eles uma menina brinca de correr. Ela parece perdida e com o tempo na palma da mão, a menina está rindo. O seu sorriso trouxe um tempero novo para o meu sonho. Meu sonho de transcender o tempo, de escapar dos limites da cidade. Me aproximei... ela era de verdade. Acho que os vagalumes também. Timidamente, comecei a brincar. Eu não tinha nada. Ofereci meu mundo. Ela aceitou! E fomos além...

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